sábado, 3 de junho de 2017

Ultrviolence

"Ultrviolence" é uma banda bem recente de post punk surgida no Canadá, lançaram dois EP'S até agora e estão em vias de finalização de seu primeiro album, post punk atmosférico e bem interessante aos ouvidos e mentes interessadas no assunto em questão.


Human Tetris

A "Human Tetris" tem se destacado pela qualidade de seu trabalho focado no post punk de influencias bem ligadas ao Joy Division, trata-se de um power trio Russo formado em 2008 e que já conquistou a admiração dos adeptos do gênero por todo o mundo, de forma underground, claro.


Soviet Soviet

Os Italianos da "Soviet Soviet" estão na estrada desde 2008, já chegaram ao seu quarto disco, conseguiram um reconhecimento e tanto pela Europa mas esse ano tentaram sua primeira tour nos Estados Unidos e acabaram impedidos de entrar por serem considerados imigrantes ilegais, alguém explica isso?


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Ethiopia, relembrando essa otima banda post punk carioca dos anos 80.

Os cariocas do "Ethiopia" duraram pouco, lançaram apenas um EP em 1986 pelo selo Top Tap contendo as músicas "Feito navalha", "Minha Vida em suas mãos", "Ethiopia" e "Vazio", mas foi o suficiente para ganharem um culto entre a turma gótica e post punk que brilhou naquela saudosa época, vale relembrar.


Novidades do Post Punk: Fufano

Fufanu é uma banda vinda da Islândia, formada em 2015, inicialmente como um duo tecno, eles já estão em seu segundo disco e seguem recebendo ótimas criticas por onde tem passado.

Começaram o projeto como "Captain Fufano", com o vocalista Kaktus e o guitarrista e programador Guðlaugur, chegaram a gravar um disco inteiro com essa formação mas tiveram as masters do trabalho roubadas no estúdio em que realizaram todo o processo, isso os levou a repensar toda a ideia, chamaram o baterista Erling Bang e começaram tudo novamente como um power trio menos eletrônico, mais orgânico e com fortes tendências do post-punk tradicional e essa virada veio a calhar.

Vale a pena conhecer o trabalho que eles vem fazendo, fica a dica.



Suicide e Alan Vega

O Suicide foi um duo Nova Iorquino formado por Alan Vega, o vocalista, e Martin Rev, operador de sintetizador e bateria mecânica em 1970.

A proposta da dupla sempre foi a de criarem um som diferente de tudo o que existia até então e essa busca resultou em algo apelidado como proto-punk eletrônico, desafiando a era hard e progressiva da década em que começaram, mas não foi nada fácil convencer as pessoas a digerirem algo tão inusitado.

Levaram sete anos apresentand-se diante de um publico que não os compreendia até que o movimento punk começou sua história indo contra a caretice e prepotência do rock que dominava a época, momento perfeito para chegarem a algum lugar.

Alan Vega tornou-se uma das figuras mais respeitáveis do cenário punk, era uma mente brilhante e diferencial, formou-se em física e arte em 1960, usou a arte como forma de expressão e alimento a sua rebeldia e inconformismo.

Durante a década de 60 envolveu-se com grupos de artistas radicais que lutavam por suas ideias confrontando museus de arte moderna, em 1969 adotou o codinome de Alan Suicide ao mesmo tempo em que passou a dedicar-se integralmente a pintura e escultura, a música foi o passo seguinte e a amizade com Martin Rev deu inicio a um novo laboratório de experiências artísticas que culminariam no projeto chamado Suicide.

Quando assistiu a uma caótica apresentação do The Stooges no New York State Pavilion, em 1969, Alan literalmente enlouqueceu, convidou Martin Revrby para montar a banda juntando-se ao guitarrista Paul Liebgott e começaram tocando em museus e exposições de arte, locais dos quais ele possuía muitos amigos e admiradores de suas ideias, começaram com o nome de "Nasty Cut" e na estratégia de divulgação panfletava descrevendo seu projeto como "Punk Music" e "Punk Music Mass" inspirados em um artigo de Lester Bangs.

Em 1971 eles abandonaram Paul Liebgott e assumiram-se como um duo, embora bastante diferenciais e autênticos eles só começaram a ser percebidos em torno de 1975 quando passaram a se apresentar em locais como Mercer Arts Center, Max's Kansas City e o CBGB.

O primeiro álbum, clássico absoluto e um dos discos mais distintos da sua era, surgiu apenas em 1978. Nessa altura, os Suicide já não soavam e pareciam tão singulares e ofensivos como nos primórdios, mas a postura confrontacional mantinha-se, especialmente nos concertos ao vivo, eventos normalmente utilizados pelo vocalista Alan Vega para espicaçar e provocar o público, observado pelos impenetráveis e constantes óculos escuros do gerador de sons Martin Rev.

A música de Suicide é densa, tensa e sombria. Quase lúgubre no seu negrume e envolta numa disforia espectral. Os trovejos electrónicos expelidos pelos teclados de Rev alternam entre o calor hipnótico e o frio imaterial. Vega paira por cima, qual morcego rockabilly, debitando vocalizações que invocam os fantasmas de Elvis Presley e Gene Vincent. As letras são vagas e minimais. America, America is killin' its youth, ouve-se em Ghost Rider, o propulsivo e intenso tema de abertura. Gonna crash, gonna die and I don't care, apregoa o urgente e turbulento Rocket U.S.A.. E Frankie Teardrop leva ao extremo a união entre palavras explícitas e música transtornada, com o relato de um jovem operário que fica na miséria e mata mulher e filho, suicidando-se em seguida. We're all Frankies, we're all lying in hell, clama Alan Vega no final, e ninguém sai incólume deste filme de terror sonoro.

Girl debita ritmo em chicotadas metralhadas e Cheree é uma das canções de amor mais desviantes e incomuns de sempre. Um abraço quente na frieza das ruas, um poema parco em palavras mas rico em ardor. E é da desolação das ruas escuras da Nova York dos anos 70 que toda a música de Suicide se alimenta. Um disco para ouvir sempre fora de horas e sempre um disco fora de tempo, apesar de inovador e influente.

Em 1980 Alan abandonou a alcunha de Suicide e deu inicio a sua história em carreira solo definindo seu som como rockabilly frenético, nos anos que seguiram Alan lançou 7 discos, emplacou um sucesso "Jukebox Babe", mas enfrentou muitos problemas contratuais e muitas tretas com produtores, nesse lado a parceria que mais deu certo foi com Ric Ocasec que trabalhou no conceituado "Saturn Strip", algo que se repetiria anos mais tarde no álbum "A Way of Life".

No final da década de 80 conheceu e casou-se com Elizabeth Lamere, uma parceira que tornou-se vital ao seu reencontro com a musica mais minimalista, seu quinto disco "Deuce Avenue" foi o mais próximo que Alan conseguiu chegar de sua estreia com o Suicide.

Como Suicide reuniram-se varias vezes ao longo desses anos, mesmo levando o nome de seu criador eles jamais evitaram que todos trabalhos fossem creditados como continuidade a banda original.

Vega morreu dormindo em 16 de julho de 2016 aos 78 anos. Sua morte foi anunciada pelo ex Black Flag Henry Rollins.






quinta-feira, 1 de junho de 2017

The Sisters of Mercy - Body and Soul/ Body Electric (1982)

A chegada do "The Sisters of Mercy" causou um alvoroço no mundo do rock nos anos 80, a estreia com "First and last and always", em 1985, deu inicio a uma nova onda musical hoje conhecida como dark wave, gênero que falarei bastante aqui no blog.

Andrew Eldritch, fundador e peça central da banda era um cara enigmático, sombrio, hipnótico e foi perfeito para aterrorizar o mundo pop durante aqueles primeiros anos de banda, as primeiras apresentações registradas tornaram-se lendárias pela sonoridade obscura, pelo visual soturno ecoando dos palcos tomados pela fumaça e que tornavam a banda algo tão fantasmagórico como silhuetas na névoa de um cemitério maldito, era contagiante pelo diferencial e queríamos aquilo, precisávamos daquilo.

A primeira formação dissolveu-se pouco depois de sua primeira tour europeia, deu origem ao The Mission, uma versão mais pop dos Sisters, mas nem por isso menos interessante, entre o primeiro disco e o esperado sucessor que veio a ser o "Floodland" as coisas começavam a mudar, a sonoridade ganhou corpo, o disco tornou-se cultuado da mesma forma, desta vez centrado totalmente na figura de seu vocalista, que adotou o branco ao invés do preto em sua estética e incorporou uma presença feminina ao seu lado, a baixista e vocalista Patricia Morrison, perfil que repetiu-se anos mais tarde com a participação da Ofra Haza no single de "Temple of Love".

E é justamente sobre os singles que gostaria de falar nesse texto, os Sisters tiveram grandes hiatos em sua trajetória, Andrew sempre viveu uma vida reservada e isolada de tudo, nunca preocupou-se com pressões da indústria, longe da necessidade obrigatória de lançar novos discos o tesouro precioso da banda permaneceu por muito tempo no formato dos singles, que aqui no Brasil eram rarissimos.
"Alice", de 1983, trazia entre seus 4 sons uma versão matadora para "1969" dos Stooges, "The Reptile House E.P." também de 1983 foi outra obra perfeita ao estilo original, mas é no terceiro deles, chamado "Body and Soul" que se encontra uma das músicas mais eletrizantes da banda, a sensacional "Body Electric", embora ela conste na coletânea "A Slight Case of Overbombing", não é a mesma gravação feita para esse EP lançado em 1984, essa versão no original é muito mais impactante e a diferença é nítida a ouvidos fies a banda.

Essa musica tornou-se uma de minhas pedras preciosas nos sets que fazia em festas undergrouds durante a década de 80, aquele som simplesmente explodia mesmo que ninguém em minha volta a conhecesse, era um sentimento único.

Andrew Eldritch não lançou muita coisa em 37 anos de carreira, chegou a um terceiro álbum oficial com "Vision Thing" que incluía a excelente "More" em 1990 e atingiu muita atenção com a fantástica "Temple of Love" lançada também em formato de single, fora isso todos ainda esperam por um novo disco, eles seguem excursionando, a figura de seu vocalista está longe de toda aquela preocupação estética dos anos iniciais, hoje Andrew está careca e muitas vezes prefere usar camisas de times de futebol em suas apresentações, o que é um tanto bizarro, mas o cara não está nem ae para mais nada, se ele já era um cara difícil lá no começo de tudo hoje é ainda mais complicado de lidar, mas trata-se de Sisters of Mercy e onde eles forem sempre existirão fãs sedentos, como eu.