Fufanu é uma banda vinda da Islândia, formada em 2015, inicialmente como um duo tecno, eles já estão em seu segundo disco e seguem recebendo ótimas criticas por onde tem passado.
Começaram o projeto como "Captain Fufano", com o vocalista Kaktus e o guitarrista e programador Guðlaugur, chegaram a gravar um disco inteiro com essa formação mas tiveram as masters do trabalho roubadas no estúdio em que realizaram todo o processo, isso os levou a repensar toda a ideia, chamaram o baterista Erling Bang e começaram tudo novamente como um power trio menos eletrônico, mais orgânico e com fortes tendências do post-punk tradicional e essa virada veio a calhar.
Vale a pena conhecer o trabalho que eles vem fazendo, fica a dica.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Suicide e Alan Vega
O Suicide foi um duo Nova Iorquino formado por Alan Vega, o vocalista, e Martin Rev, operador de sintetizador e bateria mecânica em 1970.
A proposta da dupla sempre foi a de criarem um som diferente de tudo o que existia até então e essa busca resultou em algo apelidado como proto-punk eletrônico, desafiando a era hard e progressiva da década em que começaram, mas não foi nada fácil convencer as pessoas a digerirem algo tão inusitado.
Levaram sete anos apresentand-se diante de um publico que não os compreendia até que o movimento punk começou sua história indo contra a caretice e prepotência do rock que dominava a época, momento perfeito para chegarem a algum lugar.
Alan Vega tornou-se uma das figuras mais respeitáveis do cenário punk, era uma mente brilhante e diferencial, formou-se em física e arte em 1960, usou a arte como forma de expressão e alimento a sua rebeldia e inconformismo.
Durante a década de 60 envolveu-se com grupos de artistas radicais que lutavam por suas ideias confrontando museus de arte moderna, em 1969 adotou o codinome de Alan Suicide ao mesmo tempo em que passou a dedicar-se integralmente a pintura e escultura, a música foi o passo seguinte e a amizade com Martin Rev deu inicio a um novo laboratório de experiências artísticas que culminariam no projeto chamado Suicide.
Quando assistiu a uma caótica apresentação do The Stooges no New York State Pavilion, em 1969, Alan literalmente enlouqueceu, convidou Martin Revrby para montar a banda juntando-se ao guitarrista Paul Liebgott e começaram tocando em museus e exposições de arte, locais dos quais ele possuía muitos amigos e admiradores de suas ideias, começaram com o nome de "Nasty Cut" e na estratégia de divulgação panfletava descrevendo seu projeto como "Punk Music" e "Punk Music Mass" inspirados em um artigo de Lester Bangs.
Em 1971 eles abandonaram Paul Liebgott e assumiram-se como um duo, embora bastante diferenciais e autênticos eles só começaram a ser percebidos em torno de 1975 quando passaram a se apresentar em locais como Mercer Arts Center, Max's Kansas City e o CBGB.
O primeiro álbum, clássico absoluto e um dos discos mais distintos da sua era, surgiu apenas em 1978. Nessa altura, os Suicide já não soavam e pareciam tão singulares e ofensivos como nos primórdios, mas a postura confrontacional mantinha-se, especialmente nos concertos ao vivo, eventos normalmente utilizados pelo vocalista Alan Vega para espicaçar e provocar o público, observado pelos impenetráveis e constantes óculos escuros do gerador de sons Martin Rev.
A música de Suicide é densa, tensa e sombria. Quase lúgubre no seu negrume e envolta numa disforia espectral. Os trovejos electrónicos expelidos pelos teclados de Rev alternam entre o calor hipnótico e o frio imaterial. Vega paira por cima, qual morcego rockabilly, debitando vocalizações que invocam os fantasmas de Elvis Presley e Gene Vincent. As letras são vagas e minimais. America, America is killin' its youth, ouve-se em Ghost Rider, o propulsivo e intenso tema de abertura. Gonna crash, gonna die and I don't care, apregoa o urgente e turbulento Rocket U.S.A.. E Frankie Teardrop leva ao extremo a união entre palavras explícitas e música transtornada, com o relato de um jovem operário que fica na miséria e mata mulher e filho, suicidando-se em seguida. We're all Frankies, we're all lying in hell, clama Alan Vega no final, e ninguém sai incólume deste filme de terror sonoro.
Girl debita ritmo em chicotadas metralhadas e Cheree é uma das canções de amor mais desviantes e incomuns de sempre. Um abraço quente na frieza das ruas, um poema parco em palavras mas rico em ardor. E é da desolação das ruas escuras da Nova York dos anos 70 que toda a música de Suicide se alimenta. Um disco para ouvir sempre fora de horas e sempre um disco fora de tempo, apesar de inovador e influente.
Em 1980 Alan abandonou a alcunha de Suicide e deu inicio a sua história em carreira solo definindo seu som como rockabilly frenético, nos anos que seguiram Alan lançou 7 discos, emplacou um sucesso "Jukebox Babe", mas enfrentou muitos problemas contratuais e muitas tretas com produtores, nesse lado a parceria que mais deu certo foi com Ric Ocasec que trabalhou no conceituado "Saturn Strip", algo que se repetiria anos mais tarde no álbum "A Way of Life".
No final da década de 80 conheceu e casou-se com Elizabeth Lamere, uma parceira que tornou-se vital ao seu reencontro com a musica mais minimalista, seu quinto disco "Deuce Avenue" foi o mais próximo que Alan conseguiu chegar de sua estreia com o Suicide.
Como Suicide reuniram-se varias vezes ao longo desses anos, mesmo levando o nome de seu criador eles jamais evitaram que todos trabalhos fossem creditados como continuidade a banda original.
Vega morreu dormindo em 16 de julho de 2016 aos 78 anos. Sua morte foi anunciada pelo ex Black Flag Henry Rollins.
A proposta da dupla sempre foi a de criarem um som diferente de tudo o que existia até então e essa busca resultou em algo apelidado como proto-punk eletrônico, desafiando a era hard e progressiva da década em que começaram, mas não foi nada fácil convencer as pessoas a digerirem algo tão inusitado.
Levaram sete anos apresentand-se diante de um publico que não os compreendia até que o movimento punk começou sua história indo contra a caretice e prepotência do rock que dominava a época, momento perfeito para chegarem a algum lugar.
Alan Vega tornou-se uma das figuras mais respeitáveis do cenário punk, era uma mente brilhante e diferencial, formou-se em física e arte em 1960, usou a arte como forma de expressão e alimento a sua rebeldia e inconformismo.
Durante a década de 60 envolveu-se com grupos de artistas radicais que lutavam por suas ideias confrontando museus de arte moderna, em 1969 adotou o codinome de Alan Suicide ao mesmo tempo em que passou a dedicar-se integralmente a pintura e escultura, a música foi o passo seguinte e a amizade com Martin Rev deu inicio a um novo laboratório de experiências artísticas que culminariam no projeto chamado Suicide.
Quando assistiu a uma caótica apresentação do The Stooges no New York State Pavilion, em 1969, Alan literalmente enlouqueceu, convidou Martin Revrby para montar a banda juntando-se ao guitarrista Paul Liebgott e começaram tocando em museus e exposições de arte, locais dos quais ele possuía muitos amigos e admiradores de suas ideias, começaram com o nome de "Nasty Cut" e na estratégia de divulgação panfletava descrevendo seu projeto como "Punk Music" e "Punk Music Mass" inspirados em um artigo de Lester Bangs.
Em 1971 eles abandonaram Paul Liebgott e assumiram-se como um duo, embora bastante diferenciais e autênticos eles só começaram a ser percebidos em torno de 1975 quando passaram a se apresentar em locais como Mercer Arts Center, Max's Kansas City e o CBGB.
O primeiro álbum, clássico absoluto e um dos discos mais distintos da sua era, surgiu apenas em 1978. Nessa altura, os Suicide já não soavam e pareciam tão singulares e ofensivos como nos primórdios, mas a postura confrontacional mantinha-se, especialmente nos concertos ao vivo, eventos normalmente utilizados pelo vocalista Alan Vega para espicaçar e provocar o público, observado pelos impenetráveis e constantes óculos escuros do gerador de sons Martin Rev.
A música de Suicide é densa, tensa e sombria. Quase lúgubre no seu negrume e envolta numa disforia espectral. Os trovejos electrónicos expelidos pelos teclados de Rev alternam entre o calor hipnótico e o frio imaterial. Vega paira por cima, qual morcego rockabilly, debitando vocalizações que invocam os fantasmas de Elvis Presley e Gene Vincent. As letras são vagas e minimais. America, America is killin' its youth, ouve-se em Ghost Rider, o propulsivo e intenso tema de abertura. Gonna crash, gonna die and I don't care, apregoa o urgente e turbulento Rocket U.S.A.. E Frankie Teardrop leva ao extremo a união entre palavras explícitas e música transtornada, com o relato de um jovem operário que fica na miséria e mata mulher e filho, suicidando-se em seguida. We're all Frankies, we're all lying in hell, clama Alan Vega no final, e ninguém sai incólume deste filme de terror sonoro.
Girl debita ritmo em chicotadas metralhadas e Cheree é uma das canções de amor mais desviantes e incomuns de sempre. Um abraço quente na frieza das ruas, um poema parco em palavras mas rico em ardor. E é da desolação das ruas escuras da Nova York dos anos 70 que toda a música de Suicide se alimenta. Um disco para ouvir sempre fora de horas e sempre um disco fora de tempo, apesar de inovador e influente.
Em 1980 Alan abandonou a alcunha de Suicide e deu inicio a sua história em carreira solo definindo seu som como rockabilly frenético, nos anos que seguiram Alan lançou 7 discos, emplacou um sucesso "Jukebox Babe", mas enfrentou muitos problemas contratuais e muitas tretas com produtores, nesse lado a parceria que mais deu certo foi com Ric Ocasec que trabalhou no conceituado "Saturn Strip", algo que se repetiria anos mais tarde no álbum "A Way of Life".
No final da década de 80 conheceu e casou-se com Elizabeth Lamere, uma parceira que tornou-se vital ao seu reencontro com a musica mais minimalista, seu quinto disco "Deuce Avenue" foi o mais próximo que Alan conseguiu chegar de sua estreia com o Suicide.
Como Suicide reuniram-se varias vezes ao longo desses anos, mesmo levando o nome de seu criador eles jamais evitaram que todos trabalhos fossem creditados como continuidade a banda original.
Vega morreu dormindo em 16 de julho de 2016 aos 78 anos. Sua morte foi anunciada pelo ex Black Flag Henry Rollins.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
The Sisters of Mercy - Body and Soul/ Body Electric (1982)
A chegada do "The Sisters of Mercy" causou um alvoroço no mundo do rock nos anos 80, a estreia com "First and last and always", em 1985, deu inicio a uma nova onda musical hoje conhecida como dark wave, gênero que falarei bastante aqui no blog.
Andrew Eldritch, fundador e peça central da banda era um cara enigmático, sombrio, hipnótico e foi perfeito para aterrorizar o mundo pop durante aqueles primeiros anos de banda, as primeiras apresentações registradas tornaram-se lendárias pela sonoridade obscura, pelo visual soturno ecoando dos palcos tomados pela fumaça e que tornavam a banda algo tão fantasmagórico como silhuetas na névoa de um cemitério maldito, era contagiante pelo diferencial e queríamos aquilo, precisávamos daquilo.
A primeira formação dissolveu-se pouco depois de sua primeira tour europeia, deu origem ao The Mission, uma versão mais pop dos Sisters, mas nem por isso menos interessante, entre o primeiro disco e o esperado sucessor que veio a ser o "Floodland" as coisas começavam a mudar, a sonoridade ganhou corpo, o disco tornou-se cultuado da mesma forma, desta vez centrado totalmente na figura de seu vocalista, que adotou o branco ao invés do preto em sua estética e incorporou uma presença feminina ao seu lado, a baixista e vocalista Patricia Morrison, perfil que repetiu-se anos mais tarde com a participação da Ofra Haza no single de "Temple of Love".
E é justamente sobre os singles que gostaria de falar nesse texto, os Sisters tiveram grandes hiatos em sua trajetória, Andrew sempre viveu uma vida reservada e isolada de tudo, nunca preocupou-se com pressões da indústria, longe da necessidade obrigatória de lançar novos discos o tesouro precioso da banda permaneceu por muito tempo no formato dos singles, que aqui no Brasil eram rarissimos.
"Alice", de 1983, trazia entre seus 4 sons uma versão matadora para "1969" dos Stooges, "The Reptile House E.P." também de 1983 foi outra obra perfeita ao estilo original, mas é no terceiro deles, chamado "Body and Soul" que se encontra uma das músicas mais eletrizantes da banda, a sensacional "Body Electric", embora ela conste na coletânea "A Slight Case of Overbombing", não é a mesma gravação feita para esse EP lançado em 1984, essa versão no original é muito mais impactante e a diferença é nítida a ouvidos fies a banda.
Essa musica tornou-se uma de minhas pedras preciosas nos sets que fazia em festas undergrouds durante a década de 80, aquele som simplesmente explodia mesmo que ninguém em minha volta a conhecesse, era um sentimento único.
Andrew Eldritch não lançou muita coisa em 37 anos de carreira, chegou a um terceiro álbum oficial com "Vision Thing" que incluía a excelente "More" em 1990 e atingiu muita atenção com a fantástica "Temple of Love" lançada também em formato de single, fora isso todos ainda esperam por um novo disco, eles seguem excursionando, a figura de seu vocalista está longe de toda aquela preocupação estética dos anos iniciais, hoje Andrew está careca e muitas vezes prefere usar camisas de times de futebol em suas apresentações, o que é um tanto bizarro, mas o cara não está nem ae para mais nada, se ele já era um cara difícil lá no começo de tudo hoje é ainda mais complicado de lidar, mas trata-se de Sisters of Mercy e onde eles forem sempre existirão fãs sedentos, como eu.
Andrew Eldritch, fundador e peça central da banda era um cara enigmático, sombrio, hipnótico e foi perfeito para aterrorizar o mundo pop durante aqueles primeiros anos de banda, as primeiras apresentações registradas tornaram-se lendárias pela sonoridade obscura, pelo visual soturno ecoando dos palcos tomados pela fumaça e que tornavam a banda algo tão fantasmagórico como silhuetas na névoa de um cemitério maldito, era contagiante pelo diferencial e queríamos aquilo, precisávamos daquilo.
A primeira formação dissolveu-se pouco depois de sua primeira tour europeia, deu origem ao The Mission, uma versão mais pop dos Sisters, mas nem por isso menos interessante, entre o primeiro disco e o esperado sucessor que veio a ser o "Floodland" as coisas começavam a mudar, a sonoridade ganhou corpo, o disco tornou-se cultuado da mesma forma, desta vez centrado totalmente na figura de seu vocalista, que adotou o branco ao invés do preto em sua estética e incorporou uma presença feminina ao seu lado, a baixista e vocalista Patricia Morrison, perfil que repetiu-se anos mais tarde com a participação da Ofra Haza no single de "Temple of Love".
E é justamente sobre os singles que gostaria de falar nesse texto, os Sisters tiveram grandes hiatos em sua trajetória, Andrew sempre viveu uma vida reservada e isolada de tudo, nunca preocupou-se com pressões da indústria, longe da necessidade obrigatória de lançar novos discos o tesouro precioso da banda permaneceu por muito tempo no formato dos singles, que aqui no Brasil eram rarissimos.
"Alice", de 1983, trazia entre seus 4 sons uma versão matadora para "1969" dos Stooges, "The Reptile House E.P." também de 1983 foi outra obra perfeita ao estilo original, mas é no terceiro deles, chamado "Body and Soul" que se encontra uma das músicas mais eletrizantes da banda, a sensacional "Body Electric", embora ela conste na coletânea "A Slight Case of Overbombing", não é a mesma gravação feita para esse EP lançado em 1984, essa versão no original é muito mais impactante e a diferença é nítida a ouvidos fies a banda.
Essa musica tornou-se uma de minhas pedras preciosas nos sets que fazia em festas undergrouds durante a década de 80, aquele som simplesmente explodia mesmo que ninguém em minha volta a conhecesse, era um sentimento único.
Andrew Eldritch não lançou muita coisa em 37 anos de carreira, chegou a um terceiro álbum oficial com "Vision Thing" que incluía a excelente "More" em 1990 e atingiu muita atenção com a fantástica "Temple of Love" lançada também em formato de single, fora isso todos ainda esperam por um novo disco, eles seguem excursionando, a figura de seu vocalista está longe de toda aquela preocupação estética dos anos iniciais, hoje Andrew está careca e muitas vezes prefere usar camisas de times de futebol em suas apresentações, o que é um tanto bizarro, mas o cara não está nem ae para mais nada, se ele já era um cara difícil lá no começo de tudo hoje é ainda mais complicado de lidar, mas trata-se de Sisters of Mercy e onde eles forem sempre existirão fãs sedentos, como eu.
Ultravox - Rage in Eden
Conheci o Ultravox junto com a imensa leva de bandas do punk rock da velha guarda, eles fizeram parte da cena inglesa do movimento após a metade da década de 70, o primeiro disco (gravado em 1976) tinha essa sonoridade e atitude que os enquadrava no estilo, o primeiro álbum, homônimo, já trazia "Sat'day Night in the City of the Dead" um hit que eternizou-se entre os clássicos punks da época, mas eu não sabia que eles mudariam radicalmente pouco tempo depois e não seria para pior.
Como tudo no Brasil era atrasado demais a gente não conseguia se atualizar direito, nos anos 80 estávamos ainda absorvendo os primeiros discos de bandas que naquele momento já estavam experimentando outras sonoridades, o Damned era outro grande exemplo dessa situação.
Como esse blog tem a intenção de resgatar memórias pessoais em relação a minha vida conectada a musica falarei sobre o momento em que conheci o disco do Ultravox que mais me marcou até hoje, o grande "Rage in Eden", lançado por eles em 1981.
Com a chegada da New Wave e o Synth Pop muitas bandas abriram-se a outros estilos, incorporaram outros elementos em suas sonoridades e essas mudanças em muitos casos foram sacadas certeiras e no caso do Ultravox foi o que os elevou a um patamar mais alto, um reconhecimento maior e consequentemente a fama.
O disco "Vienna", lançado em 1980 foi o divisor de aguas a eles, a faixa que dá titulo ao disco tornou-se um sucesso mundial, é um disco de tecno pop, coeso, embora a meu ver não seja um disco perfeito, o amadurecimento dessa nova formula adotada pela banda só deu inicio no álbum seguinte.
Eu tinha conhecimento de "Vienna", mas devido ao fato de ter em mente aquele Ultravox! inicial eu recebi a musica com frieza e estranheza, era uma canção que eu achei chata logo que ouvi e os deixei de lado.
Em umas das tardes de sábado, onde religiosamente eu saia para vasculhar por discos em lojas especializadas e sebos do centro de Porto Alegre eu acabei topando com um figuraça chamado Marcelo Nunes (que muitos anos depois acabou se tornando um fotografo renomado e autor das fotos de capas e artes de centenas de discos da discografia do rock gaúcho na década de 90), lembro que procurávamos por algo em comum, creio que era o novo lançamento do The Sisters of Mercy e isso rendeu um bate papo e tanto.
O Marcelo me falou de alguns discos que tinha em sua coleção, aquela situação sempre era interessante para mim, significava a possibilidade de mais fitas em meu acervo e como morávamos não muito distantes um do outro acabamos em sua casa para trocar figurinhas e foi quando ele me apresentou esse discaço do Ultravox.
Quando ouvi "The Voice", a faixa que abria o disco, fiquei enlouquecido, nunca tinha escutado algo similar a um tecno pop quase progressivo, colou no ato e toda a sequencia do álbum era magistral em musicas simplesmente perfeitas como no caso de "We Stand Alone", "I Remember (Death in the Afternoon)", "The Thin Wall", "Stranger Within", "The Ascent", um disco mágico e inspirado.
O culto em torno de "Rage in Eden" fez desse disco a obra prima dessa banda, tanto que em 2010 a banda o tocou na íntegra em um show especial no Roundhouse em Londres e documentado em dvd.
Como tudo no Brasil era atrasado demais a gente não conseguia se atualizar direito, nos anos 80 estávamos ainda absorvendo os primeiros discos de bandas que naquele momento já estavam experimentando outras sonoridades, o Damned era outro grande exemplo dessa situação.
Como esse blog tem a intenção de resgatar memórias pessoais em relação a minha vida conectada a musica falarei sobre o momento em que conheci o disco do Ultravox que mais me marcou até hoje, o grande "Rage in Eden", lançado por eles em 1981.
Com a chegada da New Wave e o Synth Pop muitas bandas abriram-se a outros estilos, incorporaram outros elementos em suas sonoridades e essas mudanças em muitos casos foram sacadas certeiras e no caso do Ultravox foi o que os elevou a um patamar mais alto, um reconhecimento maior e consequentemente a fama.
O disco "Vienna", lançado em 1980 foi o divisor de aguas a eles, a faixa que dá titulo ao disco tornou-se um sucesso mundial, é um disco de tecno pop, coeso, embora a meu ver não seja um disco perfeito, o amadurecimento dessa nova formula adotada pela banda só deu inicio no álbum seguinte.
Eu tinha conhecimento de "Vienna", mas devido ao fato de ter em mente aquele Ultravox! inicial eu recebi a musica com frieza e estranheza, era uma canção que eu achei chata logo que ouvi e os deixei de lado.
Em umas das tardes de sábado, onde religiosamente eu saia para vasculhar por discos em lojas especializadas e sebos do centro de Porto Alegre eu acabei topando com um figuraça chamado Marcelo Nunes (que muitos anos depois acabou se tornando um fotografo renomado e autor das fotos de capas e artes de centenas de discos da discografia do rock gaúcho na década de 90), lembro que procurávamos por algo em comum, creio que era o novo lançamento do The Sisters of Mercy e isso rendeu um bate papo e tanto.
O Marcelo me falou de alguns discos que tinha em sua coleção, aquela situação sempre era interessante para mim, significava a possibilidade de mais fitas em meu acervo e como morávamos não muito distantes um do outro acabamos em sua casa para trocar figurinhas e foi quando ele me apresentou esse discaço do Ultravox.
Quando ouvi "The Voice", a faixa que abria o disco, fiquei enlouquecido, nunca tinha escutado algo similar a um tecno pop quase progressivo, colou no ato e toda a sequencia do álbum era magistral em musicas simplesmente perfeitas como no caso de "We Stand Alone", "I Remember (Death in the Afternoon)", "The Thin Wall", "Stranger Within", "The Ascent", um disco mágico e inspirado.
O culto em torno de "Rage in Eden" fez desse disco a obra prima dessa banda, tanto que em 2010 a banda o tocou na íntegra em um show especial no Roundhouse em Londres e documentado em dvd.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
O poder da Rakta!
Rakta é uma palavra que deriva de "rajas" (em sâncristo), que é o componente de energia que produz movimento, força e expansão e é também o nome da banda paulista de post punk que mais tem se destacado no Brasil e também no mundo.
O power trio feminino já está em seu terceiro disco e já girou com aplausos na América do Norte e Japão, nada mal para uma banda que muito pouca gente faz ideia da existência mas que é imensa em sua criatividade, infelizmente é assim que as coisas são para o que é diferencial e único.
O post punk da Rakta aborda o universo feminino em grande parte de suas canções e isso é feito de maneira tribal, hipnótica e contagiante, ao meu ver trata-se de uma banda visceral, uma das coisas mais legais produzidas no Brasil nos últimos tempos.
O power trio feminino já está em seu terceiro disco e já girou com aplausos na América do Norte e Japão, nada mal para uma banda que muito pouca gente faz ideia da existência mas que é imensa em sua criatividade, infelizmente é assim que as coisas são para o que é diferencial e único.
O post punk da Rakta aborda o universo feminino em grande parte de suas canções e isso é feito de maneira tribal, hipnótica e contagiante, ao meu ver trata-se de uma banda visceral, uma das coisas mais legais produzidas no Brasil nos últimos tempos.
The Fall - "Bend Sinister" e a classica versão de "Mr Pharmacist".
O The Fall foi outra das marcantes descobertas da década de 80, outra das grandes bandas vindas de Manchester.
Começaram sua história no final da década de 70, liderados pelo figuraça Mark E. Smith, mas foi com o nono disco de estúdio deles, o ótimo "Bend Sinister" que eles chegaram com força aos meus ouvidos, todo o disco é uma pérola mas ele chama a atenção também pela excelente regravação de "Mr Pharmacist", um hit garageiro da década de 60 gravado pela banda "The Other Half".
A banda já lançou 31 discos ao longo de sua carreira, possuem uma legião de seguidores fiéis que seguem respeitando a projeção que a banda conquistou no underground.
Mark E. Smith é uma lenda de opinião forte e muitas vezes controversa, nunca foi uma figura fácil e pouco se importa com isso, eu poderia destacar aqui dezenas de grandes marcos e contribuições do The Fall em todos esses anos, mas nesse post vou apenas relembrar a sensação que tive quando botava para rodar "Mr Pharmacist" e enlouquecia quem estivesse por perto.
Começaram sua história no final da década de 70, liderados pelo figuraça Mark E. Smith, mas foi com o nono disco de estúdio deles, o ótimo "Bend Sinister" que eles chegaram com força aos meus ouvidos, todo o disco é uma pérola mas ele chama a atenção também pela excelente regravação de "Mr Pharmacist", um hit garageiro da década de 60 gravado pela banda "The Other Half".
A banda já lançou 31 discos ao longo de sua carreira, possuem uma legião de seguidores fiéis que seguem respeitando a projeção que a banda conquistou no underground.
Mark E. Smith é uma lenda de opinião forte e muitas vezes controversa, nunca foi uma figura fácil e pouco se importa com isso, eu poderia destacar aqui dezenas de grandes marcos e contribuições do The Fall em todos esses anos, mas nesse post vou apenas relembrar a sensação que tive quando botava para rodar "Mr Pharmacist" e enlouquecia quem estivesse por perto.
A fantástica banda "Harry'.
Meu primeiro encontro com a "Harry" foi durante uma das saudosas madrugadas vividas na lendária danceteria Taj Mahal em Porto Alegre, umas das mais fantásticas casas que marcaram a noite da década de 80.
Eu era um habitante quase residente daquele lugar, toda memória afetiva ligada aos grandes clássicos do pop rock daquela década começou lá dentro e vive em meu coração até hoje, viverá para sempre.
O DJ da fase áurea da casa foi o Edson Dutra, nos tornamos grandes amigos e muitos sons eu tive o prazer de introduzir nas programações habituais que ele fazia, canções como "Human Fly" dos Cramps, "The Voice" do Ultravox, "A means to an End" do Joy Division, "Blue Monday" do New Order (que estourou as caixas na primeira vez em que foi tocada devido ao impacto dos graves),"Body Electric" do Sisters of Mercy, "Fluss" do Rheingold, entre outros que não lembro nesse instante, mas a casa também era um portal para grandes descobertas.
Durante uma época eles inauguraram novos espaços no local e um deles chamava-se "subterrâneo", um porão com piso estilo tabuleiro de xadrez, grandes almofadas pretas espalhadas pelo chão, um clima meio que feito sob medida para os darks de plantão e ali as novidades mais interessantes rodavam livres e sem discriminação, por mais diferentes que fossem, perfeito, perfeito.
E naquele local eu ouvi uma das musicas mais doidas que já tinha escutado até então, tratava-se da alucinante "Caos" da banda paulista "Harry", faixa pertencente ao primeiro EP deles, a doideira do som me pirou no ato, o que era aquilo?
Um post punk classudo, abarrotado de efeitos e climas espaciais tornavam aquela banda mais do que especial, uma das grandes descobertas que lembro com grande carinho até hoje, segui a banda depois daquele achado que logo se fez ainda mais impactante com o lançamento do álbum "Fairy Tales", sem duvidas um dos grandes marcos da musica underground brasileira de todos os tempos.
A partir de "Fairy Tales" o clima ficou mais eletrônico, synth, industrial e continuaram geniais entre idas e vindas que rolam até hoje.
Eu era um habitante quase residente daquele lugar, toda memória afetiva ligada aos grandes clássicos do pop rock daquela década começou lá dentro e vive em meu coração até hoje, viverá para sempre.
O DJ da fase áurea da casa foi o Edson Dutra, nos tornamos grandes amigos e muitos sons eu tive o prazer de introduzir nas programações habituais que ele fazia, canções como "Human Fly" dos Cramps, "The Voice" do Ultravox, "A means to an End" do Joy Division, "Blue Monday" do New Order (que estourou as caixas na primeira vez em que foi tocada devido ao impacto dos graves),"Body Electric" do Sisters of Mercy, "Fluss" do Rheingold, entre outros que não lembro nesse instante, mas a casa também era um portal para grandes descobertas.
Durante uma época eles inauguraram novos espaços no local e um deles chamava-se "subterrâneo", um porão com piso estilo tabuleiro de xadrez, grandes almofadas pretas espalhadas pelo chão, um clima meio que feito sob medida para os darks de plantão e ali as novidades mais interessantes rodavam livres e sem discriminação, por mais diferentes que fossem, perfeito, perfeito.
E naquele local eu ouvi uma das musicas mais doidas que já tinha escutado até então, tratava-se da alucinante "Caos" da banda paulista "Harry", faixa pertencente ao primeiro EP deles, a doideira do som me pirou no ato, o que era aquilo?
Um post punk classudo, abarrotado de efeitos e climas espaciais tornavam aquela banda mais do que especial, uma das grandes descobertas que lembro com grande carinho até hoje, segui a banda depois daquele achado que logo se fez ainda mais impactante com o lançamento do álbum "Fairy Tales", sem duvidas um dos grandes marcos da musica underground brasileira de todos os tempos.
A partir de "Fairy Tales" o clima ficou mais eletrônico, synth, industrial e continuaram geniais entre idas e vindas que rolam até hoje.
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